quinta-feira, março 16, 2006,10:28 da manhã
E tu? Já pensaste hoje?
Ora vivam, como têm passado?
Eu menos mal , obrigado.
Lá em casa tudo bem?
A familia?
Óptimo!!
Gosto em revê-los!!

Esta é, de uma forma simples, o que as pessoas a quem os pais que cumpriram com o disposto no nº 1 do artigo 1878º , do Código Civil português nomeadamente quando refere que "Compete aos pais, no interesse dos filhos... dirigir a sua educação..."a utilizada entre pessoas bem educadas, e aqui o legislador também teve no seu espírito o alcance e o recurso à ordem do trato social, para a concretização de uma disposição normativa jurídica.
Por falar em jurídica , mais uma breve introdução.

Jurisconsulto, do latim, jurisconsultus, pessoa que tem um conhecimento profundo da ciência do direito e que se pronuncia ou emite pareceres técnicos sobra a sua aplicação.

Trolha, do latim trulia, por trulla "vasilha para o vinho".
1. Operador da construção civil que assenta a argamassa nas paredes ou muros, caia, conserta telhados, servente de pedreiro.
2. Pop. Maltrapilho 3. Pop. Homem ordinário.

Isto tudo, a propósito, de mais uma vez , naquela Faculdade de Direito que vos falei há uns tempos atrás, onde existem uns juriconsultos todos inchados a bradar às quatro paredes que é a melhor do País, um de entre eles se arrogar a um lugar muito elevado na escala da dignidade humana, por comparação com um trolha.
Quem tem a responsabilidade para ensinar Direito, não devia ter um pensar tão... torto!
Isto tudo porque numa aula surreal... o dito professor exigiu que os alunos não"pensassem como trolhas, mas sim como juristas"!!!

Lá me pus a pensar, coisa que não me acontece com frequência, como bem sabem, e dei comigo a fazer esta pergunta:
"O que pensará um trolha disto???"
Fiz-me ao caminho e decidi entrevistar o primeiro trolha que se me deparasse. É o resultado dessa entrevista que partilho agora convosco.

Pau de Fósforo - Bom dia...
Trolha - ... dia!
Pau de Fósforo - Posso tirar-lhe alguns minutinhos da sua vida para lhe fazer umas perguntas?
Trolha - ... isso é pra onde??
Pau de Fósforo - É para um blog... uma espécie de jornal da internet!
Trolha - Ah! Para essas modernices.. Tá bem.. diga lá o que quer homem, mas não me demore muito, que tenho ali a massa a fazer na betuneira, e ali o pedreiro quer ir assentar tijolo, e sabe como é... um gajo tem que ganhar a vida e não pode tar aqui na balda, senão o patrão contrata logo um engenheiro da Ucrânia por metade do preço...
Pau de Fósforo- Não se preocupe... é muito rápido. Então? Gosta de ser trolha??
Trolha - Posso responder a essa pergunta com uma pergunta?
Pau de Fósforo - Pode...
Trolha - Você droga-se??
Pau de Fósforo - ???
Trolha - Atão há lá alguém que goste de ser trolha , a não ser os gajos do leste?
Pau de Fósforo - Não... claro... eu queria perguntar-lhe como é que veio parar a esta profissão?
Trolha - Bem... eu sou de uma familia de classe média, o meu pai era funcionário público, a minha mãe trabalhava num escritório, e tenho três irmãos... Como calcula o dinheiro não abundava lá em casa...
Pau de Fósforo - E está nesta profissão há quanto tempo?
Trolha - Há 17 anos!!
Pau de Fósforo - É muito tempo... Não pensa abandonar esta profissão?
Trolha - Pensar, penso... só que... 'tá dificil, sabe??
Pau de Fósforo - 'Tá dificil porquê?
Trolha - Ouça lá... Você tem que optar... ou abandona as drogas ou não faz entrevistas...
Pau de Fósforo - Adiante... Presumo que já ouviu falar de juristas...
Trolha - Já .. já!!!
Pau de Fósforo - E o que diria se algum lhe dissesse que você não tem uma grande capacidade para pensar, só pelo facto de ser trolha?
Trolha - Olhe...você é jurista não?
Pau de Fósforo - Não...não sou!
Trolha - Mas parece... Deixe cá ver... sei lá... dizia-lhe que ele devia ter razão e que é tão dificil ser jurista que o melhor era ser trolha... era uma forma elegante de o mandar à merda , mas sem que ele percebesse à primeira... sabe eu cá , às vezes sou muito directo, mas com essa malta do Direito, nunca fiando... e ainda lhe dizia mais uma para ele ficar todo baratinado..
Pau de Fósforo - Que era...?
Trolha - Olhe... vale mais ser um bêbado conhecido do que um alcoólico anónimo!!! Alcançou?
Pau de Fósforo - ... sim.. não sei... talvez!!!
Pau de Fósforo - Para terminar... nunca teve outra ambição profissional??
Trolha - Tive.. sabe.. vou contar-lhe um segredo.
Eu sou licenciado em Direito, pela melhor Faculdade de Direito do País, mas quando acabei o curso fiquei fora das vagas para leccionar naquela faculdade, porque roubei a namorada a um tipo, que era amigo do Presidente do Conselho Directivo da altura, e como vingança, ficou ele com o meu lugar e ainda lá dá aulas hoje...
Perseguiu-me toda a minha vida e só consigo arranjar trabalho como trolha... sabe como são estas coisas...
Pau de Fósforo - Sei... sei?!?! Pronto...Muito obrigado pela sua disponibilidade.
Trolha - 'pere aí... tome lá um cartãozito meu... nunca se sabe quando são precisas umas obras lá em casa não é? Ou um parecer jurídico sobre uma questão qualquer né?... Sabe.. é que... a vida reserva-nos sempre umas surpresas!!!
 
Aceso por Renato Ribeiro
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quarta-feira, março 08, 2006,11:10 da manhã
Paixão
A sua pulsação estava acelerada!
Tanto, que tinha a certeza de sentir o sangue a percorrer-lhe o corpo a uma velocidade estonteante.
Com os dedos humedecidos percorria aquele corpo, ali ao seu dispôr, centímetro a centímetro.
Os olhos devoravam cada pedaço mais ínfimo, cada sinal mais leve, com a atenção de quem descobre o que nunca tinha sonhado existir.
As mãos trémulas, denunciando um nervosismo impaciente, envolviam-no com uma doçura angelical.
Sorveu, guloso, tudo o que lhe tinha para dar.
Enfim, saciado!
Tinha valido a pena.
Foi mais uma viagem fantástica por um mundo, onde poucos, muito poucos, se podiam vangloriar de o ter percorrido.
Foi então, que pousou o livro na mesa de cabeceira, apagou a luz e adormeceu, deixando escapar um sorriso de prazer que lhe pintava a cara naquela noite!
 
Aceso por Renato Ribeiro
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segunda-feira, março 06, 2006,12:30 da tarde
A vingança do chinês
Agora que já começa tudo a entrar nos eixos (devagarinho, mas vai) lembrei-me de vos presentear com mais uma das minhas.
Ontem, estive a ver na minha televisão XPTO, pendurada na parede da sala, a romaria da fogueira das vaidades à porta do Teatro Kodak, no estado onde o Arnaldo (o tal do Aile Bi Béque) é Governador.
Em primeiro lugar, fiquei a perceber porque é que "aquilo" se passa à porta daquele teatro. É para mais tarde recordar, de certeza!
Mas, vamos ao que interessa...
As recordações da minha infância levaram um forte e rude golpe.
Então não é que o filme com mais nomeações para o Óscar deste ano, fala de cowboys?
Até aqui, tudo normal... o que não é normal é que a história do dito, aborde o amor vivido entre dois espécimes destes, isto é, a canibalização deles.
Já viram como ficou a minha infância, eu que me fartei de reinar aos cóbois, porque eram gajos destemidos, davam tiros, e tal...
Agora vem um chinoca armado em realizador de cinema e ... toma lá um filme cujo título traduzido em português é mais ou menos "A montanha onde te parto a parte de trás".
Um gajo, um verdadeiro gajo, fica todo trocado. Eu bem que desconfiava que isto ia descambar... e porquê perguntam vocês??
Porque desde que tiraram o cigarrito da boca do Lucky Luke e o trocaram por uma palhinha de cevada, que eu disse logo... "Olha, agora já puseram o Lucky Luke a engolir a palhinha, qualquer dia ainda aparece aí um chinês a realizar filmes sobre cowboys homossexuais".
Tá mal...
A malta da Marlboro vai ver-se à nora para vender tabaco!!
Afinal os cowboys, que era suposto serem os "Gajos das vacas", andaram foi a enganar a maltosa. Eles não são cowboys, mas sim "Bullboys"!!!
O que é que se diz aos miúdos se eles quiserem ir reinar aos cóbois??
Oferece-lhes logo uma Barbie para encurtar caminho?
A imagem destes seres foi terrivelmente danificada, e com ela a vida de milhões de pessoas em todo o mundo que agora escondem que brincaram aos mesmos ainda petizes.
Depois de pensar um bocado (um bom bocado por acaso), que eu tenho alguma dificuldade em fazê-lo, como já sabem, descobri o porquê desta jogada toda.
Como todos sabem, os caminhos de ferro que atravessam os Estados Unidos foram feitos à custa de chineses aos milhares, que andaram com a espinha curvada durante dezenas de anos, a trabalharem que nem uns mouros ( esta expressão não é lá muito feliz porque a malta sabe que os mouros não trabalham muito... rezam muito, isso sim, trabalhar é que nem por isso)... mas adiante, e vai daí, este chinoca com apelido de calça de ganga, agarrou na espinha que atravessava as gargantas de todos os donos de lavandarias do velho Oeste e espetou-a onde mais a América gosta... Na montanha!!!
Este espetanço montanhoso está a render dólares que nunca mais acaba e eu só espero que não apareça aí nenhum iluminado a deitar abaixo mais mitos de infância, tipo o Action Man ser travesti... ou sei lá que mais.
O que eu tenho mesmo medo é que haja um tuga qualquer , que para dar nas vistas, ainda realize um filme onde dois forcados valentes, trocam de olhares ternurentos e que se embrulhem um com o outro, muito embora, e em abono da verdade, se repararem bem naquelas calcitas muito apertadinhas, muito subidinhas e as meiinhas com renda e sapatinhos rasos, (isto já está com diminutivos a mais) não augurem um grande futuro à espécie.
Também não é à toa que um de entre eles é o ... rabejador!
Bom... vamos pensar pela positiva.
O que é certo é que a América pôs-se a jeito e o chinoca espetou-lhe com aquilo que tinha à mão.
E mais nada!
Aguentem-se!
E já agora ... bons filmes!!!
 
Aceso por Renato Ribeiro
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terça-feira, dezembro 20, 2005,11:42 da manhã
Água Ardente...
Aproveito a minha estadia neste canto para lhes segredar mais uma das minhas.
Aconteceu-me este fim de semana.
No sítio onde estava choveu e choveu bem. Andava eu todo estrambelhado, como costume, a vadiar pelas ruas só pelo prazer de vadiar, quando de repente o tipo lá de cima resolveu abrir a torneira da água fria.
Corri que nem um desalmado, e enfiei-me na primeira porta aberta que encontrei.
O espaço era grande, com umas colunas imponentes nas laterais que acabavam em abóbodas. As paredes, lá em cima tinham uns vidros pintados com uns tipos e umas tipas, que de comum tinham um círculo na carola em amarelo. Pensei:
"Os gajos que pintaram isto enjorcavam droga comó caraças".
Enfim...
Continuei a olhar à minha volta e vi que estavam espalhados ordeiramente à esquerda e à direita uma data de bancos corridos com muita malta, quase toda acima dos 65 anos, polvilhados aqui e ali por umas criancitas e uns e umas quarentões (onas).
Ao fundo do corredor formado pelas banquetas, três degraus, uma mesa e duas cadeiras dispostas lateralmente.
Na parede por trás deste cenário, uma figura que eu já vi num porradão de lugares, e que ainda não percebi bem qual é a fama deste gajo, mas lá estava ele representado, assim com os braços abertos e os pés juntinhos encostado a uma madeira em forma de cruz.
Sentei-me.
De repente vejo a malta toda a levantar-se.
"Mesmo agora cheguei e já vai tudo embora?" pensei.
Uma velhota que estava ao meu lado olhou-me de soslaio com um ar de reprovação ,pior do que a minha professora de Matemática do 11º ano, quando eu mandava uma boca mais foleira na aula.
Parecia que tinha uma mola nas nádegas e saltei que nem um canguru e ali fiquei firme.
Entrou um gajo com uma túnica branca, acompanhado de dois putos e foi por-se em frente à mesa de joelho no chão e de costas para o maralhal.
Bom, pensei eu, este deve ser o Artista. Entrei numa sala de espectáculos e à borla. Vou ficar por aqui a ver se isto é alguma coisa de jeito e esperar que pare a chuva.
Ninguém bateu palmas. Estranho!
De repente, começo a ouvir uns acordes em órgão que não sei bem de onde vinham, mas parecia-me que o John Lord dos Deep Purple estava ali para tocar prá malta, muito embora a sucessão de acordes me fizesse lembrar mais o Quim Barreiros mas em mid tempo.
O tipo da túnica , lá se virou para o povo levantou os braços como o gajo da figura atrás dele e começou a dizer qualquer coisa que não percebi, mas devia estar a falar com a malta , pois o pessoal todo ao mesmo tempo respondeu-lhe. Quando se calaram eu também retribuí a amabilidade dizendo:
"Boa tarde para si também."
Não percebi bem porque é que o pessoal ali á volta olhou para mim, como a velhota de há bocado. Não são nada simpáticos estes velhotes.
Lá se voltaram para o Artista e ele começou a dizer umas coisas que eu não entendia, mas o pessoal todo, respondia-lhe à letra.
Estavamos nisto para aí há meia hora, com o Artista a fazer uns sinais com as mãos e o pessoal a imitá-lo, o Artista a dizer não sei o quê e o pessoal a responder-lhe à letra, ora em pé, ora sentados, ora de joelhos, quando de repente, começam a aparecer pelo corredor central e pelos corredores laterais, uma catrefada de putos com uns saquinhos na mão.
Começo a ver o pessoal todo a sacar de moedas e a depositá-las nos saquitos dos miúdos, e então percebi.
"Querias espectáculo à borla não era? Vai... amocha, paga! Por isso é que não estava ninguém à porta a cobrar. Um tipo entra, e depois a meio do espectáculo já não tem por onde fugir e arrota o carcanhol. Boa táctica."
Quando o puto chegou ao pé de mim perguntei:
"Quanto é?"
Não sei que bicho mordeu às pessoas que foram ali, que voltaram a trucidar-me com os olhos, e a velhota que estava ao pé de mim disse-me:
"Dê o que quiser, mas faça-o de boa vontade"
Meti a mão ao bolso e saquei duas moedas de 5 cêntimos e entreguei-as ao miúdo.
Olharam para mim com um ar reprovador, o que me obrigou a responder-lhes:
"O que querem?? Querem mais? Tabelem os preços. Este é de boa vontade!"
Viraram-se todos de costas para mim, enquanto os putos desapareciam do mesmo modo misterioso como apareceram.
De repente vejo o Artista com uma bolacha nas mãos sobre a cabeça, dar-lhe uma dentada e de seguida a pegar num cálice e emborcar.
Pelo menos o gajo é asseado porque limpou as beiças a um guardanapo que antes estava a cobrir o cálice.
O pessoal todo começa a dirigir-se á mesa em fila pirilau, enquanto o John Lord mandava mais umas organadas e pensei:
"Deve ser a hora do lanche!"
Fui atrás deles. Tenho que vos dizer uma coisa.
Grandes fuinhas são estes gajos . Quer dizer, o Artista comeu uma bolacha das grandes e quando chega a nossa vez dão-nos uma bolachita das pequenas.
Quando me deram a bolachita, apontei para o cálice e fiz o gesto que queria beber.
O Artista abanou a cabeça negando o pedido, mas como o raio da bolacha se me pegou ao céu da boca, eu expliquei-lhe por gestos que estava engasgado e que precisava de beber qualquer coisa. Nem com uma nota de 10 euros o gajo me deu água.
Lá fui empurrado pela terceira idade até ao meu lugar e isto tudo em silêncio porque parece que a malta só fala quando o Artista o faz, ou deixa.
Lá continuámos mais uns minutos, ora de pé, ora de joelhos, ora sentados até que finalmente ouvi o Artista dizer:
"Vão em paz e que Deus os acompanhe"
Começou tudo a sair e eu fiquei ali à espera que esse Deus me viesse acompanhar.
Estava sózinho naquele espaço para aí há uma meia hora quando olhei para a porta atrás de mim e reparei que já não chovia.
Levantei-me, agarrei num pedaço de papel higiénico, que trago sempre comigo, não vá necessitar, assim numa urgência, e deixei-lhe um recado que colei com cuspo nas costas do banco onde estava.
"Senhor Deus, eu esperei por si para me acompanhar como recomendou o Artista, mas como ainda não apareceu e a chuva já parou, tenho que ir à minha vida. Acompanhe outro no meu lugar que eu não lhe levo a mal.
Muito Obrigado!"
 
Aceso por Renato Ribeiro
Permalink ¤ 13 Achas para a Fogueira
terça-feira, dezembro 13, 2005,11:14 da manhã
Ele vem aí...
Olhou à sua volta e estava escuro que nem breu.
A única luminosidade que se vislumbrava na ponta do seu nariz e nos dedos gordos encostados à parede eram uns pequenos raios de luar que o escolheram para se pousarem nele suavemente.
Estava frio.
Naquela tarde de Dezembro a neve não parou de cair.
Olhava para baixo e nada via. O cintilar de algumas estrelas que bem conhecia, ondulava sobre a sua cabeça, como que a piscar-lhe o olho com ar de troça.
Pensava rezingão:
"Como é que me meti nisto? Porque raio não liguei aos panfletos dos ginásios que me deixaram no correio? Agora, de certeza que não estava a passar por este embaraço."
Uma gota de suor deslizou suavemente pelo rosto perdendo-se na sua farta barba.
De seguida outra e outra ainda.
Tentou mais uma vez, fincando os pés fortemente contra a parede e empurrando com as costas, tentando esgueirar-se da armadilha onde se encontrava...mas nada... nem progrediu um centimetro só que fosse.
Estava capaz de matar alguém que lhe dissesse que o tamanho não importava. Ai não, que não importa.
Faz toda a diferença.
O que lhe valia é que os pés estavam estranhamente mais quentes agora. O cheiro leve de borracha queimada não augurava nada de bom.
Lançou o olhar para cima e viu a condensação de respiração que se soltava do nariz do seu companheiro inseparavel de aventura, e murmurou:
" Rudolfo!! Rudolfo! Vê se fazes qualquer coisa de útil, em vez de estares aí com esse ar de troça!"
O Rudolfo despareceu do seu campo de visão.
Praguejou em surdina. O tempo estava a correr e ele não estava em condições de completar a missão que lhe fora confiada.
Os créditos que acumulou ao longo dos anos estavam a esvair-se.
O dia nasceu...
Ouviu vozes que vinham de baixo.
Gritos de alegria, o som de papel a ser rasgado, as gargalhadas de crianças , até que ouviu uma vozinha esbafurida:
Pai... Mãe... o que fazem estas botas penduradas no meio da chaminé??
Fora descoberto... Estava tudo estragado!!!
Arruinado!!!
Sentiu um puxão forte nos pés e sentiu-se cair desamparado.
De repente...
Bato com a cabeça na mesa de cabeceira e ... acordo!!!!
Desato a rir que nem um maluco...
Afinal o Pai Natal existe!!!!
 
Aceso por Renato Ribeiro
Permalink ¤ 6 Achas para a Fogueira
sexta-feira, dezembro 02, 2005,11:52 da manhã
Na Tal... Ceia
Começo por pedir perdão
Se hoje apareço de forma diferente
Quero deixar falar a emoção
E mostrar-vos o que me vai na mente

Vem aí uma época peculiar
Todos os sentimentos são postos a nú
Hoje decidi abordar
A triste sina do perú

Trocam-se prendas e sorrisos
Votos de paz e alegria
Arreganham-se à noite os sisos
Para atacar a iguaria

Juntam-se à volta da mesa
Relembrando a ceia derradeira
Sem uma ponta de tristeza
Atacam o trabalho da cozinheira

A ave bem tentou fugir
Mas depressa foi apanhada
Agora toca a deglutir
A sua carne bem assada

Não sei o que vos vai na mente
Mas a mim faz-me confusão
Uma ave cheia de aguardente
Não fará mal à digestão?

Por isso desde já proclamo
E espero que não me levem a mal
Este é o último ano
que vou comer perú no Natal
 
Aceso por Renato Ribeiro
Permalink ¤ 7 Achas para a Fogueira
terça-feira, novembro 29, 2005,11:48 da tarde
Ala que se faz tarde...
Levedura,
Deu-me para aparecer outra vez na minha esquina de desabafos.
A ausência foi de alguma monta, porque na abençoada passada sexta-feira, estive a braços com afazeres orçamentais que num futuro não muito longiquo me proporcionarão um orçamento mais equilibrado (espero).
Deu-me outra vez aquele ataque de ... estar para aqui a pensar. Tenho que voltar ao médico , pois os comprimidos que me receitou já não fazem efeito nenhum e depois dá nisto ...
Agora, expliquem-me lá como é que um tipo, nos tempos que correm , possa pensar??
E o pior não é isso. O pior é o QUE eu penso!!
Por exemplo...
A importância da cadeira na vida dos portugueses.
Alguém já pensou o que seria deste país se o "homem" tem caído da cadeira mais tarde?? Ou mais cedo?
E como é que alguns sobreviveriam na feira das vaidades se ainda lhes faltasse uma cadeira para concluir o curso?? Como é que iam exigir que os tratassem por "dótores"???
Bem... Adiante!!

E se o meu comando de TV desaparecesse?

Como tenho a mania que sou modernaço, comprei uma TV daquelas XPTO que se penduram na parede, gravam em hard disk, têm um milhão de canais programáveis, servem de monitor de computador, têm 780 leitores de cartões, falam francês e tocam piano (pelo menos quando está sintonizada no MEZZO).
Claro que não me livrei de uma cházada da dona Flausina ( a senhora que vai lá a casa três vezes por semana descobrir onde deixei as meias), porque agora anda furibunda , uma vez que tinha feito um naperon muito bonito em ponto não sei quê, para pôr em cima da TV, porque achava que a anterior estava muito despida, e agora este maluco tem uma TV enorme pendurada na parede. Isto não se faz!
Ainda bem que não se lembrou de me comprar, numa loja qualquer dos chinocas, um daqueles cães que abanam a cabecita para um lado e para o outro como tem no carro dela, com o fito de adormecer o condutor que a segue.
Mas voltemos ao comando.
Imaginem que vos desaparece o comando da TV (como me aconteceu a mim) e que têm uma Televisão que só tem o botão do OnÓfrio. Tudo, mas tudo mesmo é feito através do comando.
Azar do caraças!!!
Pois é!!!
Foi o que me aconteceu.
Estava todo regalado no meu sofá central a ver a bem dita da programação, quando de repente ao fazer zapping , tocam à minha campainha.
Atiro com o comando para um lado, vou a correr ao quarto buscar os chinelos, aperto a camisa e...
Fui ver...
A dona Flausina, não era certamente...
A vizinha do lado também não... que eu via a passear o cão
Era ... o Homem da Pizza!!!!
(Bom é sempre melhor o homem da pizza do que um extraterrestre qualquer a dizer que é do ... Planeta Agostini)
Voltei para a sala, e toca de comer a pizza e deixar os olhos em cima do ecrã. Onde é que estava??
Num canal que tem uma espécie de um i no canto superior esquerdo e uma senhora com uma boca larguissima a dizer o nome dela enquanto aparecia em rodapé a mesma informação.
Redundante pensei eu.... mas não... Os surdos não a podem ouvir e o nome aparece em rodapé. Bem pensado, pensei outra vez. E que sorte têm os surdos, foi o que constatei ao fim de 5 minutos de berraria. Quis zarpar dali o mais depressa possível e... DESAPARECEU O MEU COMANDO!!!!
E agora??
Agora??
Bem... agora a esta hora ninguem vai estar disponivel para te trazer o comando a casa, das duas uma... ou vais voltar aos velhos dias da rádio, ou gramas com os programas deste canal. E eu que nem sequer podia baixar o som do televisor.
Como sou muito pachorrento para estas coisas fiz o sacrificio de gramar com aquele número. Parecia o Jornal da Necrologia. Eram mortos por todo o lado e em todo o lado. Até pensei num slogan para o Jornal daquele canal, assim a modos de imitação de um de uma rádio de informação.
"Por uma boa arruaça, vamos ao fim da rua... vamos ao fim do mundo!"
Degluti a pizza e reforcei o estômago com duas cargas de 33 cl de levedura de Leça do Balio, descalcei os chinelos, e pousei os presuntos num puff de pele velho e gasto, que me faz companhia quando estou no sofá central, e fiquei a ver a única coisa que tinha para ver na TV!
E foi... bom.... foi... eu conto-vos:
A seguir ao tal "Jornal" gramei com pelo menos 20 minutos de publicidade, depois fiquei a saber que há uma novela , melhor, há DUAS novelas de produção nacional, onde numa, andam uns policias muito fraquinhos à procura de um ou vários tipos(as) que mataram um ricaço qualquer e na outra um arquitecto tótó anda apaixonado por uma francesa desemmigré, que não faz nada ou então tem trabalhos temporários, e que tem portáteis com ligação wireless, roupas novas (tipo jogador de futebol), não paga renda e vive com um gajo que se dedica ao comércio do peixe e ainda a alimenta, vá lá saber-se a troco do quê!!
Depois desta novelice toda, entremeada com pelo menos 45 minutos de publicidade, apareceu, ao que me contaram , no dia seguinte, a Jóia da Coroa desta estação televisiva.
É um programa, ao que parece com muito sucesso, porque andam lá umas pessoas (disseram-me que muito famosas) a brincar às tropas. E eu vi.
Que diabo! Aquilo parece é uma excursão de ex-presidiários ou pré-presidiários. Aquele ali não é o alentejano arguido no Apito Dourado? Aquela ali não esteve presa por assalto à mão armada?? O outro não é uma bicha tipo cobra cuspideira? Aquele ali não conta anedotas esfarrapadas entre duas canções? A outra não é a da canção dos automoveis?? A do pisca-pisca?
Tinham razão, lá famosos eram eles, mas não pelos melhores motivos, mas paciência, cada um é como é e mais nada!!!
A apresentar este maravilhoso programa outra senhora aos berros. Deve ser condição sine qua non para se ser pivot naquela estação. Problema deles, e já agora meu, porque não sei do meu comando.
Formou-se rapidamente uma teoria da conspiração na minha mente ( o que nós portugueses somos bons nisto, ai meu Deus).
Aquele programa tem muito sucesso porque de certeza que estão conluiados com o homem da pizza. Aparece sempre à hora da berraria nacional , a malta está com traça, atira com o comando para um lado qualquer, depois não dá com ele e pronto, tem que gramar com "aquilo".
Ou então, e esta é mais plausivel... o povo gosta mesmo "daquilo"... ou então enquanto vêem "aquilo" não pensam no IRS, na renda da casa, no colégio dos putos, na prestação do carro etc.
Naaa, para isso existem os antidepressivos e "aquilo" é mais do tipo anfetaminas!!!
Pelo menos elas devem tomar qualquer coisa parecida, pela forma como gritam... ou então são surdas!!!
Bom... outra coisa que percebi naquele "quartel" é que os "instrutores" a começar pelo "Comandante", falam tão mal o português, que parece que estiveram desde a revolução em missão no estrangeiro, mas para falar mal português já temos politicos, professores, jornalistas, radialistas, sindicalistas, militares a sério, porque raio estes a fingir não podem dar uma sapatada na lingua madrasta????
São as coisas que me passam pelas vistas.
Pronto!!! Lá está o meu lélé a tinir. Deve ser o gajo da loja a dizer que já chegou o meu telecomando.
A minha salvação está perto. Tenho consulta marcada para mudar a medicação para mais forte, e o meu telecomando vai voltar a fazer parte da minha vida.
Estou safo e isto está a compôr-se!
Ala que se faz tarde!!
 
Aceso por Renato Ribeiro
Permalink ¤ 4 Achas para a Fogueira
,1:29 da tarde
Escreva-se...
Depois das reclamações apresentadas, espero que tenha dado com o gato e acho que já podem fazer os vossos comentários com total liberdade.
É que eu sou novo nestas coisas das novas tecnologias e apanhei um choque quando estive a editar o meu blogue, vai daí, parece que os vossos comentários estvam a passar por uma máquina censória que eu não tinha encomendado.
Espero que agora possam abrir o livro e escrever o que vos der na telha...
Pelos incómodos causados as minhas desculpas.
Pois então...
Escreva-se!!!
 
Aceso por Renato Ribeiro
Permalink ¤ 3 Achas para a Fogueira
quarta-feira, novembro 23, 2005,11:34 da tarde
Animalesco
Malte,
Desculpem lá qualquer coisinha mas estive aqui a pensar (quando me distraio isto acontece-me, mas passa-me depressa, felizmente) e gostaria de partilhar convosco o que me deu na telha.
Ando preocupadissimo com uma situação que é deveras importante para este país.
Numa Faculdade de Direito, daquelas muiiito importantes, ó lá se é importante, passam-se coisas deveras anormais.
Os mentores doutrinários têm apelidos que nos podem deixar a pensar e ligados ao reino animal.
Ele é Leitão, ele é Cordeiro, ele é Carneiro, ele é Coelho, ele é Lebre eu sei lá que mais. Em comum têm todos quatro patas (os animais, não os doutrinadores).
Até aqui, tudo mais ou menos normal. O problema são os assistentes!
Não sei por que carga de água, mas têm todos a propensão para ilustrar casos práticos aos seus discendos com animais.
É caso prático com leões que bebem vinho, com tigres, com vacas e mais inquietante, ultimamente têm-se socorrido de aves, como o ganso patola, galinhas e afins.
A mais recente foi a resposta à pergunta, "Qual a diferença entre locação e arrendamento?"
Ao que parece, toda a turma respondeu erradamente e o brilhante assistente retorquiu:
"Cairam que nem uns ... patos"
Isto já é demais!!!!!
Então anda aí malta a pagar propinas para cursar Direito e vai-se a ver, estão a ser ministrados ensinamentos ligados à agropecuária?
E que dizer do mesmo assistente que por duas vezes em outras tantas aulas, lá se referiu a um filme que ninguém viu que se chama " A greve das galinhas"???
Será um efeito secundário do Tamiflu???
Ou será que naquele espaço de liberdade e iuris ensino só lá podem poisar aves raras???
Andará, por ventura, a pairar no ar a psicose da gripe das aves?
Não basta já o enorme numero de galinhas que por lá pululam?
Não se pode exterminá-los?? Se sim, como???
Deverão ter reparado, eu pelo menos reparei, nos vossos pensamentos pecaminosos "Então este gajo não escreveu que isto era importante para o país?" Como?"
Eu explico!!!
Basta juntar dois mais três e temos a resposta.
Estamos a falar de uma Faculdade muiiito importante, correcto?
Tão importante que o grosso das aves que lá se formam voam para os centros de decisão politica e financeira do país, certo?
E a resposta é simples.
Com esta intervenção aviária nas mentes destes "cromos" não admira que só tenham ideias para nos ... depenar!!!
Porque para encher o papo grão a grão estamos cá nós...mas os altos voos estão reservados a estas espécies cacarejantes, que minam e dominam os centros decisórios quais abutres a esvoaçar á volta do repasto.
E ... pronto , lá tenho o telemovel a tremer, vou ter que abandona-los, para vosso gaúdio!
Bons voos e tenham cuidado com observações como "É boa como o milho".
 
Aceso por Renato Ribeiro
Permalink ¤ 2 Achas para a Fogueira
,10:11 da tarde
Reacendimento
Depois de um começo com muita chama, de repente os ânimos arrefeceram e decidi passar pelas brasas.
Os meus amigos agora já me dizem que não devia ter bebido gasolina (ao preço que está é um verdadeiro luxo), só que , como todos sabemos, não se deve deitar gasolina nas brasas, ou achas na fogueira ou lá o que é!
E pronto!!
Cá estou, pronto a divertir-me e a aborrecê-los com os disparates que me assolarem a moleirinha. Para não se perder o fio à meada e ao espírito desta coisa, republico os primeiros dois momentos da minha experiência blogueana, com a promessa que vou, (desta vez é que é), manter uma assiduidade mais constante.
Até jazz!
 
Aceso por Renato Ribeiro
Permalink ¤ 3 Achas para a Fogueira
,1:49 da tarde
Tudo em cima?
Sexta-feira, Abril 30, 2004


Como o tempo é escasso, só hoje posso voltar a partilhar a minha viagem cibernética com os que pousarem por descuido os olhos neste blogue. Tive uma semana de arraso, mas continuei atento aos tais pequenos pormenores que fazem parte do nosso quotidiano, que marcam presença insistente nas nossas conversas e acções, mas vá lá saber-se porquê não lhe passamos grande atenção.
Talvez o avô Sigemundo ( Sigmund em alemão ou austríaco ou lá o que é) possa explicar isso. Estava a falar com um amigo meu, quando de repente ele olha para o relógio e exclama "Xiii... Vou pôr-me na alheta. Tchau".
Fiquei ali sozinho quedo e mudo e a pensar com o meu ziper das calças ( tenho algumas com botões mas não são lá muito práticas).
Ele vai por-se na Alheta??? Mas quem diabo é a Alheta??
Pois é. De repente ( e lá está o avô Sigemundo a fazer das suas no nosso subconsciente) o que me ocorreu é que o meu amigo ia dar uma queca.Tout court. Desse ponto de vista, era muito natural que interrompesse a nossa conversa do modo como o fez, porque uma queca é sempre preferível a uma conversa que, na altura versava a filosofia que estava por trás da opção do Professor Doutor Oliveira Ascensão ter optado por Direito e não por Matemática na juventude dos seus 17 anos.
Mas fiquei intrigado. Quem será esta Alheta? O mais incauto entenderia esta expressão como a necesidade urgente de saltar dali para fora o mais rápido possível, mas um tipo atento como eu, entenderia a mensagem subliminar que estava adjacente a esta tão corriqueira expressão. E depois de um exercício mental rápido ( porque eu não tenho tempo para coisas demoradas), cheguei à conclusão que era uma excelente expressão, esta da Alheta.
Porque senão vejamos:
Substituir a palavra alheta por um nome feminino qualquer, denuncia claramente as nossas intenções, para além de ser ordinário ( viu Madame Paula Bobone, eu também conheço a Ordem do trato social, V. Exa. é que nem lhe passa pela cabeça o que isso é), como " Vou pôr-me na Maria" ou " Vou pôr-me na Joaquina" ou " Vou pôr-me na Felisberta" ( bem este da Felisberta não é lá muito feliz). Suponhamos que ela se chama Berta, será feliz se quem se lhe puser em cima a satisfaça, o que nos levaria para o campo das probabilidades e da estatística, mas não temos tempo para isso,ou melhor, EU não tenho tempo para isso.
Se o meu amigo que se foi pôr na Alheta não tiver cuidado, continuei eu a divagar rapidamente, daqui a uns meses ainda tem uma surpresa com dois bracinhos, duas perninhas, uma cabecinha, dois olhinhos, duas orelhinhas, etc. ( o que é pequenino convém que se descreva com estas mariquices dos diminutivos).
E aqui é que a porca torce o rabo ( cá está outra expressão interessante, porque tem uma porca e fala em rabo).
Divaguei rapidamente pela experiência da paternidade, o que leva incondicionalmente às questões de puericultura e à educação ministrada aos/às petizes e fui aportar numa situação muito curiosa. Este mundo dos adultos é muito pernicioso, e cheguei à conclusão que a publicidade é de facto a grande inimiga da fluidez num mercado de concorrência perfeita ( este é um aparte de Economia). Vejam lá se eu não tenho razão. Acompanhem-me neste racíocinio:
As canções infantis são o maior antro de publicidade induzida que temos na nossa sociedade. Tomemos dois ou três exemplos." A saia da Carolina tem um lagarto pintado" . Pumba!!!! Publicidade à Lacoste!
" Ti Anica de Loulé, o que levaria ela na caixinha do rapé?" Se não sabem o que vai na caixa do rapé é porque não é rapé. O que será então? Descubram, porque vos faz bem exercitarem os neurónios!!!
Esta então, é aquela que podemos apelidar da campanha mais extraordinária e futurista da publicidade. Estou a falar, claro está, da célebre música " Eu vi um sapo". Já se preparava na mentes das crianças que a consumissem assim que tivessem idade para conhecer as novas tecnologias, e começassem a exigir aos pais a ligação à Net... Sapo!!! Tá tudo a assapar!!
E o que dizer da canção difundida aos sete cantos do rectângulo pelo actual Reitor da Universidade de Lisboa??? " Come a papa Joana come a papa". A que papa se referiria o douto cantor??? À Cerelac?? Ao Nestum?? Não temos uma resposta plausivel para esta questão!!!Agora um aparte, se fosse um herege ( cristão baptizado que renega a ortodoxia da Igreja Católica Apostólica Romana) homossexual (lá por estarmos no dominio da publicidade não é nenhum detergente para lavar o sexo) escreveria certamente uma canção com o titulo " Come o Papa João come o Papa".
Bem, como sempre , lá tenho o telemóvel a tinir, e como não posso perder tempo, vou ter que me pôr também... na Alheta!!!
Bom fecho de semana!
 
Aceso por Renato Ribeiro
Permalink ¤ 1 Achas para a Fogueira
,12:37 da tarde
Ar de apresentação
Sexta-feira, Abril 23, 2004
Começa aqui uma aventura muito particular ( que como está disponível a todos, não é tão particular como isso) que tomou forma num local onde todos nós, por mais que não queiramos, passamos algum tempo das nossas vidas. Claro que me refiro à casa de banho, quarto de banho,cagadeira, Palácio das Necessidades, casinha etc. etc.
Vagueava eu nos meus pensamentos, que é uma das formas que utilizamos para passar o tempo enquanto o nosso corpo exorcisa e expele o que anda por cá a mais, quando de repente... Dei o maior, ruidoso e demorado peido da minha existência!!!!Foram para aí 10 segundos de libertação gasosa que me aliviaram e me retiraram pelo menos 10 quilos!!!E com o estrondo gaseificado, ocorreu-me a luminosa e mal cheirosa ideia de utilizar as novas tecnologias da informação que temos ao dispôr, quais armas mortíferas ou naves especiais que nos transportam pelo planeta que habitamos, para partilhar com os meus contemporâneos alguns pequenos pensamentos sobre factos que estão presentes no nosso quotidiano e por se tornarem tão rotineiros, não lhes prestamos a atenção que eles porventura possam merecer.
E começa o meu devaneio pelas expressões que contêm de alguma forma a palavra peido ( para os seguidores da Paula Bobone por favor trocar a palavra por libertação gasosa ou acto de flatulência).
Existem pessoas que não dissociam o peido do acto de cagar quando se referem em tom jocoso a algo que não os agrada ou não interessa, com a fantástica expressão " Tou-me a cagar para isso".
Pois é meus amigos, eu sei que dá mais jeito dizer "Tou-me a cagar para isso" do que estou a "peidar-me para isso", ou estou a "bufar-me para isso" mas todos sabemos que são coisas diferentes.E se não se estiverem a cagar para o resto do texto convido-os a tentarem encontrar algumas respostas que me assolam a alma, porque pela amostra do meu corpo também já não se aproveita muito.Tenho a convicta certeza que o acto de nos peidarmos é um dom que só à raça humana pertence, porque senão ( e é aqui que eu vos desafio a pensarem comigo) vejamos:
Quem de entre vós já ouviu um rato dar um peido??Alguém por acaso sabe se as galinhas libertam gases???Sabemos que os cães e os gatos dão bufas e não peidos, porque não os ouvimos mas.... cheiramos... e quão mal cheiram!!!!Os golfinhos e as baleias... são mamiferos como nós, certo? Alguém já leu em algum lugar desde a "Maria" até ao "Riders Digest" alguma noticia sobre um peido destes animais?? E os peixes?? Darão eles peidos??? ou bufas??? Será que o carapau de corrida, é de corrida por que se peida e aproveita a libertação gasosa para ganhar velocidade ou isso são maquinações da mente fértil do povo??Se uma formiga se peidasse com a capacidade que tem para levantar uma quantidade enorme do seu peso, imaginam o super peido que poderia dar??? E as baratas, expelirão elas gases??E porque é que quando alguém se peida ao pé de outrém é logo apelidado de porco?? Os porcos não se peidam, quanto muito cagam em demasia, mas também não é correcto apelidar um ser humano de porco mesmo que o único incómodo causado tenha sido o ruído.... sim o ruído, porque a maior parte dos peidos que damos, felizmente não cheiram!(Também estou constipado)Agora gostava de vos falar dos agentes secretos da flatulência, comummente conhecido entre a urbe pelas ... bufas!!!As bufas, meus coevos amigos, são a mais odiosa, mal cheirosa, sinistra forma de expelição de gases que o nosso organismo encontrou.Provocam atritos entre os seres humanos que um dia poderão levar à desgraça da nossa existência, são subtis e certeiras, enfim, são do piorio, no sentido literal e visceral!!!Imaginem a situação que pode ser criada por uma bufa largada ao seu destino numa carruagem de metro em hora de ponta!!! Já está!!! Instala-se a desconfiança entre aqueles seres humanos que ali se encontram, mais preocupados em proteger a carteira dos larápios do que com outra coisa, a divagarem nos seus pensamentos e preocupações, quando de repente lhes penetra pelas narinas a nossa bufa que os põe com os mais ridículos tiques de desconfiança olhando uns para os outros com um ligeiro engelhar do nariz, pensado para com eles " Grande porco." "Mal educado". "Bolas que este gajo está podre". " Hehehe ainda há quem se cague pior do que eu", " estou aliviada. Eu sei que não devia, mas não aguentava mais".
Ahah!! Repararam neste último pensamento??? estou ALIVIADA!!!!! Pois é meus amigos, se repararem todos teriam os pensamentos inscritos em primeiro lugar, todos SEM EXCEPÇÃO pensariam que tinha sido um HOMEM a libertar esta agente do fedor, mas ... sim meus caros, sabemos que é dificil de aceitar, mas as senhoras também se cagam.Todas? perguntarão vocês!!! Bem... todas ... todas, não.... a Paula Bobone não se peida, não caga, não tira macacos do nariz, embora tudo o que diga ou escreva nos pareça uma .... merda!!!
Temos que dizer o que nos vai na alma porque se falamos com o corpo, já sabemos onde é que a coisa vai parar.
Pois bem, meus caros tenho o telemóvel a tocar, tenho que o atender e despeço-me com um ar da minha graça.
Buffffffffffffffff
Felizmente não cheira!!!!
 
Aceso por Renato Ribeiro
Permalink ¤ 1 Achas para a Fogueira
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